segunda-feira, novembro 13, 2017

Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim) muda de frequência para os 107,5 MHz

Há decisões no seio das rádios que se revelam logo absurdas  e incompreensíveis. É o caso da Rádio Onda Viva (Póvoa de Varzim), que decidiu, certamente com o consentimento da ANACOM, mudar de frequência, dos 96,1 para os 107,5 MHz.

O leitor mais incauto que não conheça ou mal conheça o Norte pode ser levado a pensar que tal mudança poderia fazer sentido... não fossem dois pormenores... perdão, dois pormaiores: na frequência adjacente imediatamente abaixo, nos 107,4 MHz, tem-se um poderosíssimo emissor da TSF, a irradiar do alto da Serra da Lousã (Trevim), cujo sinal é audível em boa parte da região; como se não bastasse, na outra frequência adjacente, nos 107,6 MHz, a TSF tem também um peso-pesado, nomeadamente o emissor da Serra do Marão.

Resumindo e concluindo: a TSF nos 107,4 é escutável no Porto e em parte considerável do Norte; de igual modo, a estação informativa é audível em várias zonas da região, através do emissor do Marão (107,6 MHz). E, desde a manhã de hoje, a Rádio Onda Viva emite nos 107,5. O resultado? Basta consultar a página da emissora na rede social "Facebook" para constatar que há ouvintes a reclamar porque a rádio poveira é agora interferida pela TSF em sítios diversos como Esmoriz (concelho de Ovar) e Matosinhos. E o vídeo partilhado pelo utilizador do "Fórum da Rádio", Abílio Maia, fala por si, quanto às condições de recepção no concelho de Vila Nova de Gaia. Só há duas explicações razoáveis para tal opção: ou um tamanho dislate de quem não conhece a realidade no terreno como deveria conhecer, ou há a clara intenção de sacrificar a Rádio Onda Viva em prol de outra estação, que pretende melhorar a cobertura migrando para os 96,1 MHz. Em qualquer caso, e se me é permitida a expressão e dado que tal operação terá o aval da ANACOM, uma geringonça radiofónica "anacómica".

quarta-feira, novembro 08, 2017

Luís Montez vende participação na Global Media

O conhecido empresário Luís Montez vendeu a sua participação no capital social da Global Media, empresa proprietária da TSF e de outros meios de comunicação (nomeadamente os jornais "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias", entre outros activos.

Deste modo,  o proprietário da Altice Arena e de umas tantas rádios, deixa de contar com os 15% de quota na dona da TSF, que passam para as mãos do empresário José Pedro Soeiro, que também adquiriu os 27,5% do empresário angolano António Mosquito.

sexta-feira, outubro 20, 2017

O Inferno desceu novamente em Portugal. E a rádio presta um verdadeiro serviço público.

Não há palavras suficientes para descrever o ambiente de horror decorrente dos fatídicos incêndios no Norte e Centro do país, cujas consequências ainda não estão completamente contabilizadas. O certo é que morreram pelo menos 44 pessoas e existem centenas de feridos. Para nem falar da morte de centenas, se não milhares, de animais, além dos danos materiais.

No meio de um cenário desolador, num contexto onde os meios de comunicação (telefone, Internet, etc) foram severamente afectados pelos efeitos do fogo e/ou pelo corte de energia eléctrica, as populações locais atingidas por tamanha tragédia nacional, mormente as que ficaram (e muitas ainda estão) privadas de electricidade, a rádio, o meio de comunicação social mais flexível, de acesso gratuito e cuja audição não depende da rede eléctrica, ganha uma importância crucial, no sentido de informar os ouvintes, mesmo os que estavam isolados do resto do mundo, a respeito do que se ia passando.

Na madrugada da passada segunda-feira (dia 16 de Outubro), a Antena 1 interrompeu a emissão habitual de madrugada para cobrir em directo o desenvolvimento dos terríveis incêndios que iam consumindo grande parte do território florestal do país. Um serviço público notável, sobretudo num horário onde as rádios tendem a não alocar muitos meios para assegurar a emissão. Também a RR e a TSF têm, ao longo dos serviços noticiosos, coberto a tragédia. De destacar igualmente o papel de várias rádios locais que iam, com os parcos meios disponíveis, acompanhando os últimos desenvolvimentos.

No que diz respeito às redes de emissores das rádios, sabe-se que há uma baixa a registar: os emissores do Pico da Pena (Vouzela) da TSF (102,5), RR (93,8) e RFM (95,0) (que partilham a mesma torre), bem como o da Rádio Comercial (103,1) e da VFM (94,6 MHz Vouzela) estão inoperacionais. Não obstante, a rádio local (VFM) está a operar com potência reduzida, utilizando um emissor de recurso. Também a Rádio Sim em Braga (101,1 MHz) está sem emissão mercê de problemas de comunicação, já que houve cabos de fibra óptica que não resistiram às chamas.

quinta-feira, outubro 05, 2017

Record FM lança cadeia de rádios

Conforme tinha já sido prometido pela estação, a Record FM lançou, no dia 1 de Outubro, uma  generosa rede de emissores, engolindo a maior parte das estações detidas pela IURD. Assim, a Algarve FM (91,8 Silves), a Rádio Pernes (101,7 + 105,5 Santarém), a Rádio Placard (95,5 V. N. Gaia) e a Liz FM (101,3 MHz Leiria) passam a emitir em cadeia com os 107,7 MHz Sintra, mantendo, naturalmente (por serem frequências generalistas), desdobramentos locais.

Com esta mudança, a palavra do Senhor pregada pelos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus passa a ser escutada em grande parte do litoral, sob a marca "Record FM". Falta juntar a Antena Sul (95,5 MHz Viana do Alentejo e 90,4 MHz Almodôvar), para que praticamente todo o litoral do Algarve até Leiria possa sintonizar a Record FM.

sábado, setembro 30, 2017

A rádio por via hertziana está viva e recomenda-se - e a FCC até defende que a Apple devia activar o rádio FM nos iPhones

Na era da emergência de novos paradigmas de comunicação, onde o consumo de música e a escuta online de rádio nos smarphones e outros dispositivos se revela uma tendência crescente, os fabricantes tendem a ignorar as tecnologias mais antigas de comunicação, nomeadamente a rádio via FM.

Quando muitos fabricantes "esquecem" a opção de escuta de rádio FM nos smartphones, eis que, nos Estados Unidos, país onde, nos últimos tempos, várias regiões têm sido fustigadas por furacões, a FCC (órgão regulador congénere da ANACOM portuguesa), tem defendido a activação do rádio FM nos iPhones.

Com efeito, quando as redes móveis falham, quando não há Internet, quando outros serviços de comunicações ficam comprometidos, a rádio, que pode só depender dela própria assim tenha emissores operacionais durante um desastre natural, pode transmitir informações importantes para a segurança das populações afectadas, desde que estas tenham um receptor. Ainda que a Apple já tenha afirmado que as últimas versões do iPhone, que, como sabemos, já nem sequer têm entrada de 3,5 mm para os auscultadores, não disponham de hardware que permita a recepção de rádio, este pode ser um precedente para outros fabricantes que, não obstante utilizarem hardware compatível com a recepção de rádio, não activarem tal funcionalidade. Na verdade, em certos modelos, chega-se à situação de se conseguir colocar rádio FM utilizando uma aplicação externa, como o "Spirit2".

Na minha óptica, uma pessoa que compra um aparelho devia ter o direito de explorar todas as potencialidades do hardware, sobretudo quando este utiliza um sistema operativo tão vertátil quanto o Android. Incluindo a recepção de rádio FM, quando o equipamento dispõe de um chip adequado para o efeito. Até porque há situações onde o acesso à rádio online pode ser difícil (por exemplo, em situações de sinal fraco da rede 3G/4G), pode ser caro ou até pode estar comprometido por avaria ou dano grave nas estruturas que suportam as redes móveis. Com maior alcance geográfico e sendo um serviço completamente gratuito, a rádio por via hertziana é, indubitavelmente, a melhor alternativa de acesso à informação em situações catastróficas - e, por cá em Portugal, a tragédia relativamente recente em Pedrógão Grande foi, claramente, um bom exemplo de episódio em que a rádio prestou um verdadeiro serviço público às populações afectadas.

Antena 1 no dia 1 de Outubro: como não prestar um serviço público de rádio

Há decisões incompreensíveis para quem defende um modelo de verdadeiro serviço público de rádio. Sendo certo que amanhã, dia 1 de Outubro, é dia de Eleições Autárquicas, razão para que a Antena 1, o principal canal do serviço público de rádio efectue - e bem! - uma emissão especial destinada a cobrir a noite eleitoral, há outras opções do serviço público que são, simplesmente lamentáveis.

Encontrando-se a emissão FM da Antena 1 preenchida com a cobertura das eleições, na mesma noite em que ocorrem jogos de futebol importantes (Porto vs Sporting e Benfica vs  Marítimo), a rádio pública decidiu colocar a tarde desportiva na Onda Média da Antena 1, na RDP África e numa emissão online.

Ironia: tendo em conta a política de lenta destruição da Onda Média levada a cabo pela RTP, que quando tem problemas técnicos graves desliga de vez os emissores, chega-se à caricata situação em que um adepto portista que more na Cidade Invicta não possa ouvir na Antena 1 (a não ser através da Internet) o jogo frente ao clube leonino, simplesmente porque já não existe um emissor de Onda Média que cubra eficientemente o Grande Porto e a maior parte da região Norte. Da mesma forma, um ouvinte de Faro também não consegue sintonizar a emissão OM da Antena 1. Felizmente que, neste último caso, ainda tem a RDP África nos 99,1 MHz. Todavia, um ouvinte de Portimão terá dificuldade em escutar condignamente a tarde desportiva. Para nem falar de outras regiões do país onde a recepção da Antena 1 via Onda Média é notoriamente fraca, até nula (por exemplo, no arquipélago da Madeira).

Visto que o serviço público aposta no desporto, ainda que tenha de cobrir uma actualidade política importante para o futuro de cada concelho, de cada freguesia do país, esperava-se que, concorde-se ou não com o futebol na rádio, o concessionário desse serviço público garantisse a cobertura universal do território dos eventos desportivos importantes , utilizando uma verdadeira rede nacional de emissores para assegurar as emissões. Qual ovo de Colombo, a solução está na "prata da casa": com três rádios nacionais, não se percebe por que razão a RTP não utiliza esporadicamente a Antena 3 para transmitir programas desportivos de interesse nacional ou a cobertura de outros eventos que se justifiquem, quando a Antena 1 tem de cobrir outro evento ou questão de interesse nacional mais importante. Tanto mais que a Antena 3 nem tem nenhum programa importante que justificasse a sua difusão no período horário em causa. Na prática, e de forma implícita, esta atitude da RTP está a discriminar os ouvintes em função da geografia, passando a mensagem: «Mora em Lisboa, em Évora, em Coimbra? Ouça a tarde desportiva na Onda Média. Mora no Porto? Ouça na Internet se quiser, ou escute o relato noutra rádio». Como diria uma das míticas personagens imortalizadas pelo Herman José, "não havia necessidade".

quinta-feira, setembro 28, 2017

Nova rádio temporária em Lisboa: Rádio Silêncio (99,0 MHz)

Na sequência da realização do "Festival Silêncio", que decorre no Cais do Sodré, em Lisboa, de hoje (dia 28) até ao próximo domingo, dia 1 de Outubro, a organização do evento lançou uma rádio temporária para cobrir o evento. Tendo o apoio da Antena 3, a Rádio Silêncio emite nos 99,0 MHz até ao próximo domingo, para um raio estimado de 5 km de cobertura radioeléctrica.

terça-feira, setembro 12, 2017

TSF tem novo editor das manhãs: Fernando Alves

Um dos grandes nomes da rádio vai liderar as manhãs noticiosas da TSF: Fernando Alves, um dos fundadores da estação, vai, a partir do próximo dia 18 (segunda-feira), ocupar o cargo de editor das manhãs da TSF (das 8 às 10 horas, de segunda a sexta-feira).

De referir que a TSF prepara-se também para realizar, durante duas semanas, emissões especiais a partir de 10 mercados municipais de vários concelhos da Grande Lisboa e do Grande Porto. Sem dúvida, uma boa iniciativa em vésperas de eleições autárquicas, que permite aproximar as populações  locais da rádio, dando voz às suas preocupações e aspirações a respeito do futuro da sua terra. É pena que se limite às duas principais regiões do país, ignorando a realidade de quem vive em Bragança ou, quiçá, em Proença-a-Nova, por exemplo. Para quem tem, do ponto de vista oficial, uma rede de emissores dita "regional", soa a pouco.